O Papel do Profissional Coach em um Mundo V.U.C.A.

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O Papel do Profissional Coach em um Mundo V.U.C.A.

O coaching se tornou ao longo dos últimos anos uma das metodologias mais usadas no mundo para ajudar empresas e profissionais a atingirem suas metas e objetivos de maneira simples e rápida, contribuindo com o desenvolvimento de competências comportamentais, emocionais e até mesmo psicológicas do indivíduo. Nos Estados Unidos, segundo o jornal Executive Channel, mais de 40% dos executivos já passaram pelo processo de Coaching. O método é tão difundido que muitas empresas oferecem o serviço de Coaching como benefício do cargo.

O processo pode acontecer de dez a doze sessões, podendo ser alterado de acordo com a necessidade e objetivo do cliente. Essas sessões, ocorrem geralmente de forma semanal, onde é estabelecido tarefas que irão contribuir com o objetivo maior do Coachee. No processo o cliente é o coachee, o Coach, o profissional que apoia seu cliente a atingir uma meta específica e o coaching, a metodologia.

O objetivo deste artigo, é ajudar os profissionais que atuam como Coaches a entender como as organizações e pessoas estão se comportando ou devem se comportar em um mundo V.U.C.A. Este acrônimo descreve quatro características marcantes do momento em que estamos vivendo: Volatility (Volatilidade); Uncertainty (Incerteza); Complexity (Complexidade); Ambiguity (Ambiguidade).

Mesmo tendo surgido na década de 90 no ambiente militar, onde o U.S. Army War College utilizou esse conceito para explicar o mundo pós-Guerra Fria, que traduzia os cenários instáveis e complexos dos soldados nos campos de guerra. No mundo dos negócios, vem sendo amplamente utilizado, principalmente depois que a Harvard University passou a ensinar este conceito aos seus alunos, fazendo uma analogia com o mundo atual.

Volatilidade:  os negócios e carreiras estão em constantes mudanças, muito mais rápido do que nunca vivido. Tudo muda o tempo todo em uma velocidade absurda. Fazer planejamento neste cenário instável, tem sido cada vez mais difícil. Hoje, não basta planejar, estabelecer metas e ações, é preciso fazer um follow-wp (acompanhamento), mais rigoroso, atentando-se as mudanças incontroláveis que estamos vivendo.

O papel do Coach neste cenário é de ajudar o Coachee a se adaptar as exigências do mercado com uma velocidade maior. Pode ser que a meta definida nas primeiras sessões, também precisem mudar, entendendo de fato, a necessidade do cliente e alinhar as exigências do mercado. O Coach aqui deve atuar como um guia.

Para refletir: “Nada é permanente, exceto a mudança.” –Heráclito

Incerteza: antigamente, era muito mais fácil fazer uma previsão e ser assertivo. Os especialistas em tendências e escritores futuristas, tinha muito mais valor e participavam de decisões estratégicas dentro das empresas. Hoje, tornou-se mais difícil enxergar o futuro e fazer previsões. Era mais provável saber como a empresa ou a carreira estaria em alguns anos. Estabelecer metas de médio e longo prazos, eram extremamente comuns. Me lembro de um episódio que vivi com um amigo, quando morei nos Estados Unidos, em 2015. Quando perguntei sobre seu planejamento de carreira, ele me apresentou um planejamento de 20 anos que tenha feito com seu Coach. Infelizmente, planejamentos longos tem sido cada vez mais improváveis de acontecer. O papel do Coach neste cenário de incertezas, é de apoiar o Coachee na execução de metas de curto prazos, trazendo o mesmo para realidade atual. Aqui, o Coach deve atuar como um mentor.

Para refletir: “As perguntas poderosas, sem julgamento e sem intenção de vencer, são as  melhores respostas no processo de coaching.” – Carlos Maciel

Complexidade: o mundo está menos linear e mais complexo. Na verdade, isso não é novidade. A diferença é que algumas pessoas entendem e aprendem com essa complexidade que vivemos, outras pessoas, preferem continuar pensando e agindo de forma linear.

As coisas estão tão interconectadas, que se torna mais difícil explicar um fato ou uma teoria olhando apenas um ponto de vista. Quando a Netflix lançou sua polêmica série “13 Reasons Why”, que aborda os temas bullying e  suicídio em escola America, gerou muitas polêmicas ao falar de um assunto, que geralmente, somos orientados a colocar “embaixo do tapete” ou fazer de contas que não nos afeta. Após a  série houve um aumento de 445% na buscas de centro de prevenção ao suicídio, segundo o CVV (Centro de Valorização da Vida). Ou seja, tudo está conectado com tudo e não é tão simples como parece.

O papel do Coach é ajudar o Coachee a fazer essas conexões em todas as áreas de sua vida. Aqui, fazer uma analogia com a “Roda da Vida”, entendo como cada área da roda se conecta em uma noção de passado, presente e futuro pode ajudar o Coachee a conectar alguns pontos. Aqui, o Coach deve atuar como um patrocinador, com foco no positivo.

Para refletir: “Você não pode juntar dois pontos olhando para frente; você só consegue conectá-los olhando para trás. Então você precisa confiar que os pontos, de alguma maneira, serão ligados. Você tem que confiar em algo – seu instinto, destino, vida, karma, o que for. Esta abordagem nunca me decepcionou, e fez toda a diferença na minha vida.” – Steve Jobs

Ambiguidade: hoje temos múltiplas interpretações para o mesmo fato. Se você criar uma conta no Facebook nos Estados Unidos, irá encontrar aproximadamente 56 identidades diferentes de gênero. Para quem escreveu a Bíblia, era mais fácil. Deus fez Adão e Eva – e pronto. A humanidade toda se restringia a dois sexos – ou dois “gêneros”. Agora, temos várias respostas para uma única pergunta.

No Coaching temos uma máxima: “As perguntas, são as respostas”. Perguntas poderosas, faz o Coachee pensar e refletir sobre uma situação ou fato com várias percepções. O papel do Coach é ajudar e guiar o Coachee para que consiga ter a melhor resposta em um dado momento ou contexto. Ou talvez, ter várias respostas, desde que faça sentido para o Coachee e que o mesmo consiga executar bem suas tarefas e metas. Lidar com a ambiguidade, muitas vezes, requer ação. Afinal, não estamos prontos, o estar pronto acontece com a experiência, fazendo, testando e experimentando.

Para refletir: “Uma ideia não vale de nada, o que vale é a execução.” – Flávio Augusto Da Silva

Competências essenciais PARA atuar em um mundo V.U.C.A.

  1. RESILIÊNCIA PARA LIDAR COM A VOLATILIDADE: capacidade de se adaptar e lidar com cenários cada vez mais incertos. Ângela Duckworth, psicóloga americana e escritora do best-seller “Garra – O poder da paixão e perseverança, 2016”, afirma que a resiliência é um ingrediente extremamente importante para sermos mais determinados. Pessoas resilientes, conseguem transformar as dificuldades e crises em aprendizados e não desistem tão facilmente, quando a sua prática está alinhada com seu propósito de vida.
  2. FLEXIBILIDADE PARA LIDAR COM A INCERTEZA: ser flexível, significa, atender as necessidades do mercado, quando necessário e se for importante pra você. Pessoas flexíveis, conseguem se adaptar com mais agilidade em diferentes ambientes, atividades ou situações. O seu jeito, talvez, não seja o jeito certo. Reflita.
  3. INTERDISCIPLINARIDADE PARA LIDAR COM A COMPLEXIDADE: a palavra interdisciplinar é formada pela união do prefixo “inter“, que exprime a ideia de “dentro”, “entre”, “em meio”; com a palavra “disciplinar”, que tem um sentido pedagógico de instruir nas regras e preceitos de alguma arte. No Design Thinking, a interdisciplinaridade, é um dos pilares que abordamos na metodologia. O profissional interdisciplinar, possui maior capacidade de conectar coisas ou assuntos diferentes, encontrando melhores soluções em sua vida e negócios.
  4. CORAGEM PARA LIDAR COM A AMBIGUIDADE: no livro “Forças e Virtudes de Caráter”, Christopher Peterson e Martin Seligman (2004),  consideram que para uma pessoa ter mais coragem, ela possui quatro forças de caráter, que são: bravura, perseverança, entusiasmo e integridade. Aqui, ter a bravura para tomar decisões e se manter em uma linha ou ideia, assumindo os riscos existentes, sem perder o entusiasmo,  e não abrir mão da sua integridade, mesmo sabendo que poderá fracassar.

Carlos Maciel é professor em cursos de Pós-Graduação nas áreas do Desenvolvimento do Potencial Humano e Master Trainer na P. SCHOOL, escola de coaching.