Peter Diamandis quer que você consuma menos informação

By in
Peter Diamandis quer que você consuma menos informação

Fundador e presidente da X Prize Foundation, o co-fundador da Singularity University e co-autor do best seller eleito pelo New York Times “Abundância: O Futuro É Melhor do Que Você Pensa”, Peter Diamandis participou do evento de lançamento do Learning Village.

André Costa, general manager da Vibra, empresa digital do Grupo Bandeirantes, entrevistou Diamandis e trazemos os highlights dessa conversa.

Adotar uma mentalidade orientada por prosperidade e abundância em cenários instáveis como o que vivemos é um tanto difícil. Como você acha possível mantermos esse mindset com ameaças de escassez tão presentes?

Peter Diamandis – É difícil manter um mindset positivo quando estamos sendo constantemente bombardeados pela mídia com notícias negativas. No meu trabalho na Singularity sempre digo que o seu mindset é um dos elementos mais importantes que você possui. Se você perguntar a caras como Jeff Bezos, Elon Musk e Steve Jobs, o que foi mais importante no início de suas carreiras, se o dinheiro, a tecnologia ou suas mentalidades; eles escolheriam a última opção. O mindset possibilitou o sucesso desses indivíduos.

Para mim, a maneira com que você nutre seu cérebro determina a constituição dos seus pensamentos. Então, se você permite que seu cérebro receba estímulos de notícias ruins a todo instante, seus pensamentos estarão repletos de medo. Violência, corrupção e assassinatos não são as únicas coisas que estão acontecendo no planeta. Também há uma quantidade incrível de coisas boas acontecendo a todo instante!

Se você quer moldar um mindset de abundância, precisa antes de mais nada estar atento ao que seu cérebro vem consumindo.

Como aplicar esse mindset de maneira prática, na rotina?

Peter Diamandis – É importante pensarmos na quantidade de informação que consumimos e se realmente precisamos consumir tudo isso. Eu acesso toda a informação relevante para meus objetivos em cerca de 10 minutos. Não permito que os veículos de comunicação infectem meu cérebro com tudo o que há de ruim acontecendo. Aprendo o que preciso aprender e foco meu tempo na busca por avanços que precisam ser realizados. Acredito que nossa guarda precisa estar alta para as informações que estão disponíveis. 

Construí um produto que está acessível a qualquer pessoa que tenha interesse, de graça, que é o Future Loop. Trata-se de uma Inteligência Artificial que vasculha as notícias do mundo à procura de todos os avanços que estão ocorrendo nas indústrias de computação, IA, robótica, impressão 3D e outras tecnologias exponenciais, com um ponto de vista otimista. Checo todos os dias, leio e isso formula meus pensamentos.

Outro ponto de atenção deve ser: com quem você se relaciona? Se você convive com pessoas muito pessimistas, é essa a maneira que você acabará vendo o mundo. No entanto, se você se cercar de membros de comunidades como a Singularity, cheios de insights, pessoas empolgadas sobre o futuro, novas tecnologias, isso terá um impacto tremendo em você. A isso se soma o que efetivamente entra no seu corpo e como você cuida dele. Boa alimentação, exercícios físicos regulares, uma boa qualidade de sono e se rodear de pessoas com visões de mundo semelhantes às suas, isso é crucial.

Pensando em modelos educacionais, você acha que o que praticamos hoje está à altura dos desafios a serem enfrentados?

Peter Diamandis – Toda a educação, da infância, passando pelo ensino fundamental até a faculdade foi construída há centenas de anos. Você terminava a graduação e o mundo mudava vagarosamente, portanto seu aprendizado tinha aplicabilidade por muitos anos ainda. Cento e cinquenta anos atrás, a expectativa de vida média era de 40 anos. Você se formava e sua educação te acompanhava por duas décadas até que você morresse. Hoje, isso é muito diferente. O mundo muda na velocidade das tecnologias, então é importante que a gente caia na realidade de que não dá para continuarmos educando da maneira que era antes do advento dessas tecnologias.

Para começo de conversa, a educação não acaba quando você se gradua. A educação deve ser uma busca vitalícia. É necessário se atualizar e se aprimorar constantemente. Acho que todos precisam determinar como continuarão a se educar.

Uma da grandes transformações que está em curso é a inteligência artificial e acho que as pessoas realmente não fazem ideia do quaõ importante a IA será. Brinco que haverão dois tipos de empresas em 2030: as que estarão totalmente integradas à inteligência artificial e as que estarão fora do mercado.

Então, como você enquanto líder, CEO, empreendedor está realmente enxergando a inteligência artificial? Você está dando aplicabilidade a ela? De que maneira? Essas mudanças não virão em vinte anos, em trinta anos, elas ocorrerão nesta década. Então precisamos nos educar constantemente, sem medo do futuro.

Como a educação e a inteligência artificial contribuirão com a longevidade?

Peter Diamandis – Não fomos desenvolvidos para viver mais que 30 anos. Atualmente, estamos entendendo o software e hardware dos nossos corpos, como evitar doenças e como estender nossos períodos de saúde. Há muitas pontes a serem construídas para que avanços ocorram, mas há coisas básicas que podemos seguir: dormir oito horas por dia, por exemplo. Foi cientificamente comprovado que nossos cérebros evoluíram com oito horas de sono. Outro ponto chave é evitar as grandes quantidades de carboidrato e açúcar, a humanidade nunca lidou com essa quantia de carboidrato e açúcar. Cortar o exagero no consumo desses itens já contribui muito com sua longevidade. Os músculos também são muito importantes nessa busca. Isso é o que pode ser feito no curto prazo, por todos.

No que se refere ao longo prazo, meu próximo livro abordará essa temática. Há uma infinidade de tecnologias chegando com o propósito de vivermos mais e melhor. Estou bastante otimista.

Fonte: Singularity University.